Lodo
Sinopse
Na génese do projecto “No Lodo” esteve a descoberta de álbuns da família em formato diapositivo, submersos no lodo depois de duas cheias repentinas. A rapidez com que as narrativas presentes nos diapositivos se perderam foi surpreendente e levantou muitas questões: O que fazemos com estas imagens agora? A destruição criou outras imagens com novas possibilidades de leitura e interpretação, mas, de que falamos afinal quando falamos de “destruição enquanto criação” ou de “objecto encontrado (ready-made)” ? Que relação existe entre estes e as nossas vidas, ou os nossos hábitos numa sociedade cada vez mais digital mas também mais descartável? Tudo pode desaparecer num ápice? Qual é o lugar da nossa história e das nossas memórias? No momento em que a nossa memória colectiva corre tantos riscos de ser subvertida, este é um projecto que nos faz reflectir. É um projecto artístico mas também um objecto de reflexão. Entendemos que “No Lodo” vai de encontro ao propósito de questionar e, ao fazê-lo, estimular o debate, o pensamento crítico e, consequentemente, uma participação mais activa na sociedade.
A partir destas imagens parcial ou totalmente corrompidas, Graça Santos e João Godinho desenvolvem um trabalho de curadoria e montagem do material encontrado, propondo novas narrativas visuais e sonoras que resultam na edição de um livro de imagens fotográficas e na criação de uma Performance de Arte-Rádio, ambos intitulados “No Lodo” , explorando assim o equilíbrio entre imagem-narrativa e imagem-material, e sua correspondência na dimensão sonora, som-narrativo e som-material.
A residência na Sardanisca será um tempo para reflectir sobre estas questões, olhar para os diapositivos com vagar e re-organizá-los em várias possibilidades narrativas e artísticas.
Futuramente, temos intenção de levar o projecto “No Lodo” de volta à Sardanisca, no formato de oficinas criativas em torno das ideias de “Destruição enquanto ferramenta de criação” e de “Objecto encontrado / Ready made”, através da utilização de material de arquivos fotográficos locais encontrados em diferentes formatos, trabalhando os seus aspectos narrativos e plásticos, mas também com outras propostas após o lançamento do livro e da performance de Arte-rádio.
Equipa
Graça Santos (Oeiras, 1975), artista visual e livreira, estudou escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL) e pintura na Escola Superior de Arte e Design de Caldas da Rainha (ESAD CR), entre 2002 e 2006. Em 2023 concluiu, também na FBAUL, a pós-graduação em Ilustração e Narrativa Visual. É co-fundadora do colectivo “Fitacola Collage” (2005) e fundadora do projecto “Descolagem” (2021), ambos centrados na colagem manual, técnica em que se especializou. Ao longo dos anos tem colaborado com vários projectos a nível nacional como “Arquitecturas Film Festival”, “LPP”, “Jornal Mapa”, “Laboratório d’Estórias”, entre outros, e também em vários projectos internacionais de colagem como “Paris Collage Collective”, “Contemporary Collage Magazine”, ou “Paris Collage Festival” onde representou Portugal em 2024. O seu trabalho tem sido apresentado em vários prémios e exposições de onde se destacam a Bienal de Ilustração de Guimarães, Festival de Artes Guimarães Noc Noc, Bienal de Artes Plásticas da Festa do Avante, Galeria Monumental Pequenos Formatos, Arte + Feminismo Maratona de Edição, Atelier Open Amsterdam. www.descolagem.pt
João Godinho (Lisboa, 1976), compositor com trabalho apresentado e premiado nacional e internacionalmente, cuja escrita, além da música erudita, abrange estéticas como o jazz, a música para cinema, o fado e a música tradicional portuguesa. Das múltiplas parcerias que vai desenvolvendo, destaca-se a colaboração regular com a pianista Joana Gama, nomeadamente em projectos como “Nocturno”, “As árvores não têm pernas para andar” e “Pássaros e Cogumelos”. Em 2019 estreou, na Konzerthaus de Berlim e no Centro Cultural de Belém em Lisboa, a peça Alcance, para 5 Solistas e Orq. Sinfónica (Jovem Orquestra Portuguesa, dir. Pedro Carneiro), uma encomenda da OCPsolidária em parceria com a CERCI-Oeiras, tendo neste contexto sido distinguido com o Prémio Compositor Europeu 2019. Entre 2007 e 2011 trabalhou no Centro Cultural de Belém, primeiro como assessor de imprensa e mais tarde como programador na área da música. Colabora regularmente com a Rádio Antena 2, sendo autor e locutor dos programas Fora de Formato (2019), Pausa para Dançar (2020-2022) e Quem canta assim (desde 2023). Em 2024 compôs música e sonoplastia para a longa metragem Pai Nosso – Os últimos dias de Salazar, com realização de José Filipe Costa. www.joaogodinho.com











